sábado, 7 de junho de 2008

Blog NOVO... ENDERÇO NOVO...

Pronto...
está quase pronto... quer dizer... falta muito ainda mas já dá para começar a brincar...
o novo endereço do Diário Indiário...

www.diarioindiario.com

Agora vai... tá ficando bonitinho...
Estou conseguindo trabalhar com html.. montei sozinho..
eu sou foda...
tem até um fórum...
tem um monte de coisas.. .
vai ficar legal...
tô feliz...
dããããããã

terça-feira, 3 de junho de 2008

Nova Fórmula, Novo Sabor...

Preparem-se diaristas,
Em breve, o Diário Indiário estará com nova fórmula e novo sabor, enriquecido com vitaminas e minerais.
Já reservei o domínio.
Teremos um novo endereço e novas ferramentas...

Quem mandou não estudar?

Sim "diaristas".
Cá estou eu novamente analisando situações cotidianas que repugnam minha sensibilidade.
É impressionante a ignorância das pessoas. Será que não percebem que o mínimo de conhecimento, mesme que pareça absurdo, é necessário?
Observe essa situação e acompanhe meu raciocínio.
Fulano vai à escola e vive perguntando:

- "Pra quê eu vou estudar física??? Não vou usar isto mesmo!"

e claro, a mais frequente e que ouço quase sempre:

- "Pra quê filosofia?? isso é coisa de louco"

É claro que a maioria dos incautos que se perguntam estes absurdos não devem saber, sequer limpar a bunda sozinhos. É o tipo de ser que, apesar do aparente desenvolvimento, passa o resto da vida gritando "MÃÃÃÃEEEE... JÁ FIZ!".

E faz mesmo. Veja o caso deste incauto gaúcho, que não observando a segunda lei de Newton e tendo adormecido naquela aula sobre as relações do espaço e do tempo no pensamento de Pitágoras, resolveu, conforme sua deliberação racional e livre (Cf. SARTRE, J.P. O Ser e o Nada), assaltar uma suntuosa residência em Porto Alegre.

Surpreendido em flagrante delito, o meliante busca desesperadamente safar-se de seu merecido castigo, tentando evadir-se para longe do braço da lei de maneira surpreendente.

Tentou fugir pela chaminé da churrasqueira. O resultado: Entalou.

É... é verdade atenienses, saiu até no UOL (a foto inclusive é do UOL). O sujeito entalou na churrasqueira, e além do dono da casa ter que chamar a polícia para prender o dito cujo, teve que quebrar a chaminé da churrasqueira para evitar que o fulano viesse a óbito por asfixia.

O pobre habitante da dita residência, além de ter que suportar todas as burocracias oriundas da Secretaria de Segurança em virtude do mal sucedido furto, ainta terá que arcar com o prejuízo da reforma de sua churrasqueira, já que o acéfalo ficou pendurado que nem Papai Noel em decoração das Casas Bahia.

Ô ANTA! DOIS CORPOS NÃO OCUPAM O MESMO ESPAÇO NO TEMPO.

IMBECIL DA MAMÃE, O SER ESTÁTICO, QUE É AQUELE QUE NÃO SE MOVIMENTA, É UM NÃO-SER TÃO SOMENTE PELO PASSAR DO TEMPO. O TIJOLO NÃO VAI SAIR DE SEU LUGAR ORIGINAL APÓS TER SIDO FIXADO COM ARGAMASSA SÓ PARA O BONITINHO PASSAR.

Bem feito. Agora além de ser preso, será devidamente aloprado por seus parceiros de xilindró por ser burro.

Espero que o referido delinquente não tente nenhuma fuga mirabolante, ou teremos o prazer de vê-lo novamente nos jornais e serei obrigado a escrever sobre esta topeira de novo.

terça-feira, 27 de maio de 2008

31 - A enquete

É verdade que a idade se acumula sobre minhas costas.
Sinto vontade de ter novamente 18 anos e agora entendo a máxima filosófica do velho Raimundo, meu pai, que dizia:

- Seria bom que os jovens soubessem como os velhos sabem e os velhos pudessem como os jovens podem.

Bom, para falar a verdade, eu não queria ter 18 anos de novo não. Tá bom como tá (desculpem a linguagem coloquial). Na realidade, fiz tanta merda quando tinha 18 anos que não seria necessário fazer tudo de novo, apesar de ter sido muito divertido. Como dizia ainda o velho Raimundo, "é fazendo merda que se aduba a vida"¹. Sábias Palavras.

Ontem completei meus 31 outonos (vocês acreditam que muitas pessoas me perguntaram quantas primaveras eu estava completando? Será que não lêem o Diário Indiário?) e após receber cerca de 400 scraps no orkut, tive uma súbita impressão de felicidade ao ver tantas carinhas queridas ressurgirem para manifestar alguma palavra de apreço. Nas escolas muitos abraços, beijinhos, bombons (estão tentando me dissuadir dos meus exercícios físicos e fazer com que eu pareça uma bolota) e algumas musiquinhas criativas além do clássico "Parabéns pra você" e "Com quem será?". A que mais me chamou a atenção e quase me provoca um infarte tinha como letra "aha, uhuuuu... Fransmar eu vou comer seu BOLO!". PQP. Quase tive um treco e imediatamente contraí os músculos do esfíncter em um movimento involuntário de auto defesa. Afinal de contas, quem tem, tem medo.

Sem nenhuma interpretação pejorativa, fui presenteado por uma grande amiga (cujo nome preservarei por motivos pedagógicos mas digo que ela é alta, loira, usa bolsas enormes e sapatos maiores ainda, estando constantemente adornada por colares e blusas absurdamente coloridas tendo também o hábito, ou vício, de colecionar canetinhas... como a Fabi.) com um livro inusitado cujo título é "South Park e a Filosofia". Apesar de parecer uma tremenda sacanagem com a ciência mãe, posso garantir que é um sério tratado sobre a chacota.

De qualquer forma, sempre é importante para nosso ego sentir-se querido e amado por aqueles que nos cercam. Não menos importante é encontrar aquelas pessoas que perguntam sua idade, em evidente deselegância, e depois tentam te encorajar dizendo: - Nossa... mas como você está bem...

Fica a dúvida. Estarei realmente bem e conservado ou todo esse telecoteco reside no interesse de se adquirir um meio ponto ou, caso não seja um dos meus alunos, em evitar minha surpreendente sinceridade em seu próximo aniversário quando, sem a mínima misericórdia direi: - Nossa... Tá acabadinha heim?

Por isto, o "Diário Indiário", em uma enquete despretensiosa pergunta:

"Você acha que eu ainda dou um caldo aos 31?"

O voto é secreto, portanto, usem da sinceridade. É claro que se a coisa começar a ficar feia eu deleto a enquete imediatamente. Basta votar. Tá ali do lado, ó.
Vale lembrar que a Ana Paula e minha mãe não podem votar várias vezes em "Arra, Urrú..."
Por outro lado, o Rubinho, o André e o Cassiano também não podem votar várias vezes em "Nem a pau Juvenal".

Vamos clicar.


____________________
¹ - Deu pra perceber que a filosofia está no sangue da familha né..??? É genético. Tive a quem puxar.

domingo, 25 de maio de 2008

Exercícios Físicos

Diria o Falcão (o cearense) que "a mão que joga a pedra é a mesma que apedreja".
Entre todos os mimos proferidos por D. Ana Paula I (de Bragança e Bourbon) sempre sai uma cutucadinha. Estávamos indo ver um filme dia desses (cujo título não importa) e, em dado momento, singelamente recostada em minha protuberante massa muscular abdominal (é tudo músculo, não tem nada de gordura aqui), Aninha solta:

- Amor, você precisa se cuidar um pouquinho né? Fazer uns exercícios...

Para bom entendedor, pingo é "i".
Liguei para o Rubens, um irmão que minha mãe ganhou em uma promoção de refrigerante do tipo "junte 5 tampinhas" e para o André, outro irmão que não vale nem as tampinhas de um refrigerante argentino, e ambos resolveram se matricular em uma academia pros lados da Cachoeirinha o que, por motivos geográficos, já me fez brochar invariavelmente a dita vontade de colocar o corpo em dia.
Liguei então para o César (foto), meu primo-padrinho (que fisicamente não é nenhum fado¹) dizendo que estava tomado por uma súbita vontade de praticar exercícios físicos, e este me recomendou que armasse a rede, deitasse e esperasse a vontade passar.
Entretanto, sempre se pode contar com as antigas amizades. Liguei para o William.
William é um relapso de marca maior. Antigamente, devotado às artes marciais, praticava esportes regularmente, tinha um corpo bem definido, era alvo de gracejos das moçoilas onde estivesse e hoje, casado e com uns 30 quilos a mais, dedica-se a levantar garfos repletos de macarrão besuntado em molho de tomate defendendo a tese de que "para se ter músculos são necessários carboidratos".

Encontramo-nos hoje às 6h20 da manhã para uma corridinha matinal seguida por uma partidinha de tênis.

É interessante pensar que praticamos o devido aquecimento muscular com uma caminhada de 20 minutos, quando resolvemos começar a correr.
Foi uma corrida longa. Em passo cadenciado como maratonistas pernetas subindo a Av. Brigadeiro Luis Antonio, conseguimos correr por, pasmem, exatos 6 minuto.
Retornamos à caminhada por mais uns 15 minutos com a impressão de que teríamos um enfarte em caso de parada abrupta e após beber água, como dois hipopótamos desidratados por uma semana de sobrevivência no Saara Ocidental, resolvemos parar e sentar um pouquinho.

Resumo. Nossa "hora da ginástica" pode ser reduzida a:

20 minutos de caminhada,
6 de corrida em marcha lenta (muito lenta... fomos ultrapassados por um famigerado cágado que também se exercitava por alí.)
15 de rastejamento ofegante
e uns 20 deitados na grama para voltar a respirar

Creio que tenha sido um bom começo, afinal, sou um intelectual... não um atleta.
Domingo que vem tem mais... ou durante a semana... sei lá... minhas panturrilhas doem.


Em tempo: Ainda conseguimos jogar dois sets de tênis. Vitória minha. Parciais de 6-1 e 6-2. Massacre... eu sou foda.

___________________
¹ - Uso aqui o termo "fado" como o feminino de fada. Não... o César não é cantor de melodramáticas canções populares portuguesas. Se bem que... ah. deixa pra lá.

X.

É...

o X se aproxima.

Talvez o grande Schopenhauer dissesse que a única certeza imanente da vida é a própria morte.Sem querer ser pessimista (alguns dizem que Schop era pessimista. Eu só acho que ele era bem humorado.), penso que Schop esteja certo.

Na realidade, só um idiota acreditaria que ele estava errado.Sendo assim, por ocasião do meu trigésimo primeiro outono¹ só me resta, na maior cara de pau do mundo, erguer brindes e vivas a mim mesmo, possivelmente cercado por aqueles amigos, irmãos, colegas, agregados e familiares que em uníssono concordarão comigo dizendo

- Como você está jovem! - Você emagreceu!

Ou como diria D. Ana Paula I, dona da subjetividade do meu miocárdio,

- Amorzinho, você está ótimo... tão jovem... tão lindo... tão disposto... tão ... tão... tão...

Apesar da timidez, descobri que uma das qualidades (são incontáveis... não dá para numerar) de minha sensível dama é ter uma face digna de receber os melhores óleos de peroba e cedro que o engenho humano já foi capaz de produzir.

Vai ser cara de pau assim lá longe sô.

Tá certo que eu continuo conservado, bonito, gostoso, dono de físico e disposição invejáveis ao Dr. Fausto e além do que poderia oferecer Mefistófeles (para quem leu Goethe) mas muito de toda essa sensualidade exuberante que exala desse corpinho roliço deve-se a um único segredo transmitido de pai para filho em gerações da família.
Uma máxima filosófica que destaca-se entre fórmulas, cházinhos, ervas miraculosas oriundas do meu sertão que também ajudam...

"Não se deve levar a vida a sério demais. Não vamos sair vivos dela mesmo."
E claro, devidamente associada a outra máxima que reza:"O sujeito que realmente entende a seriedade é capaz de rir de qualquer coisa".

Por isto rio tanto. Tenho motivos de sobra para ser feliz. Agora só falta saber o que é essa tal "felicidade" (e não vou fazer nenhum pagodinho ou cantar música do Fábio Jr.) e tudo estará resolvido.

_____________________
¹ - Sempre quando se aproxima a comemoração do meu natalício me aparece algum ignorante tentando ser sutil e pergunta "Quantas primaveras?"
Vale esclarecer que nasci no mês de MAIO e, uma vez que não nasci no hemisfério norte, completo OUTONOS, e não primaveras.

sábado, 24 de maio de 2008

Homenagens Merecidas - Parte 2 - Banho de Sol...

E lá vamos nós novamente mergulhar no saudosismo...

Todo mundo sabe bem que, em alguns dias, o melhor que poderíamos fazer era permanecer na cama e dormir até as 17h. Após o despertar em horário pouco convencional, escovaríamos os dentes e tomaríamos um banho por questões de higiene, comeríamos um sanduíche de salame com coca-cola na padaria da esquina, iríamos até a locadora, pegaríamos um filme, uma barra de chocolate, voltaríamos para a cama a fim de assistir a obra cinematografica em questão e por fim, retornaríamos ao sono dos justos. Resumindo: Tem dia que não dá vontade de fazer NADA...

O detalhe é que o Nada em si é uma complicação metafísica (cf. HEIDEGGER, O que é Metafísica) e pensar o nada acabaria nos tomando o sono.

São nestes dias então, de denso conteúdo com tensa beleza poética, que temos a liberdade (Liberdade, liberdade... abra as asas sobre nós... - Não. não me refiro ao hino pátrio. Estou lembrando do samba da Imperatriz Leopoldinense em 89) de, conforme um contrato social pré-estabelecido a fim de que a lei seja soberana e não acabe virando zona (Cf. ROUSSEAU, O Contrato Social), sair daquele ambiente pesaroso que é a sala de aula e dar sequência a nossas discussões intelectualizadas sob o sol matutino que banha a Serra da Cantareira e adjacências. (acho "adjacências" uma palavra tão bonita... sempre quis usar).

Momentos gloriosos, de altíssima inspiração para todos, onde o ar puro proporciona momentos de êxtase pedagógico.

Mas a grande diversão estava em conduzir 30 e poucos alunos entre 15 e 17 anos pelos corredores do colégio, todos em fila ordenada pela altura do gurí (os verticalmente desfavorecidos sempre na frente) observando o fenômeno sociológico estampado no semblante dos outros alunos, professores, funcionários e direção que perguntam pasmos: "Que merda é essa?".


É claro que sempre surgem um ou outro para perguntar:

- Professor, o que está acontecendo?

Ao que imediatamente respondo:

- Estamos todos de maneira organizada buscando um lugar ermo no qual possamos exercitar nossa licença pedagógica na mais absoluta paz de espírito.

E que paz....

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Estes não foram meus alunos...

Reconheço minha ignorância e as ofensas que profiro casualmente à língua de Camões.

Nunca, em qualquer hipótese, me sentiria digno de abrir a boca para emitir qualquer sentença na presença de um Machado de Assis, José de Alencar ou Joaquim Nabuco. Jamais teria coragem de inscrever meu nome entre os pretendentes à cadeira que fora de Jorge Amado e encontra-se vacante com a passagem da fantástica Zélia Gatai (se bem que, depois que o Paulo Coelho pousou suas nádegas infectas sobre a cadeira fundada por José do Patrocínio, que também teve a glória de repousar os glúteos de Dias Gomes, e me refiro à de número 21 da Academia, qualquer absurdo é válido).

Reconheço não ser possuidor dos méritos lingüísticos de Ariano Suassuna ou Barbosa Lima Sobrinho. Mesmo sendo incapaz de me equiparar ao eterno Austregésilo de Athayde, abraço minhas limitações com o orgulho de quem teve por mestra a gloriosa Prof. Dra. Norma Discini na instrução da Língua Portuguesa e o Dr. Pinho no aprendizado do latim. Apesar do esforço titânico de mestres fabulosos, minha conduta relapsa faz com que ataques esporádicos à língua de Gonçalves Dias ainda sejam cometidos.

Tampouco espero que meus alunos tenham todo o conhecimento lingüístico de um mestre como o Dr. Ricardo Pântano, por quem também tive o prazer de ser instruído sem muito sucesso, não por demérito do acadêmico mas por mea culpa.


Fato é que, em respeito a meus professores, a meus colegas de profissão e principalmente à expressiva língua utilizada por Mário Ferreira dos Santos para elaborar tão sutis tratados de lógica, tento evitar a qualquer custo que meus pupilos cometam o crime que o famoso casal postado logo abaixo comete sem o menor escrúpulo. E não estou falando do assassinado. Julgo ser motivo mais que suficiente para umas boas chibatadas em praça pública, seguidas por exposição dos corpos flagelados amarrados à estátua do Borba Gato.

Contém cenas de desumano atentado ao patrimônio cultural.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Jung, Peirce, Saussure e outros semânticos.

Pois bem caros atenienses, Conforme meu irmão semi-alfabetizado de cabeça gorda e mente torpe postou em seu blog (Veja aqui), algumas coisas não entram em nossas cabeças. Se não entram na dele que é enorme, imaginem na minha! Mas se não entram, ao menos fazem sair algumas reflexões; como esta que segue. Devo ter mencionado (aqui) que um outro irmão, que minha mãe encontrou num pacote de salgadinhos Cheetos, agarrado a um daqueles cartõezinhos brilhantes, comprara um FUSCA 62 à algumas semanas, ótimo estado, todo reformado etc.. etc.. Pois bem, levamos o referido veículo a meu mecânico (Aê Bolão!! vai aparecer no Diário Indiário... tá ficando importante) e quando este se deparou com o supracitado meio de transporte arrepiou-se inteiro. Os olhos marejavam e a muito custo nosso fiel Assessor para Assuntos Automobilísticos conseguiu conter as lágrimas e exclamou balbuciando:

- Óia! arrepiou tudo. Meu pai teve um desses. Meu filho mais velho foi feito em um desses!

Como é bela a reminiscência. Como é bom recordar o passado e os bons momentos vividos juntos. Como é importante salvaguardar recordações que trazem nossas emoções à tona e nos incrustam (é assim que se escreve isto?) preciosas pedras no coração sensível. Prefiro observar por este ângulo. O venerável Cacá Pimentel diria que não passa de viadagem, mas ainda quero acreditar no "cerumano", como escreveu um aluno em sua avaliação. Estabelecendo entretanto uma analogia simbólica (Ver: JUNG, C.G. O homem e seus símbolos e Fundamentos da Psicologia Analítica) em uma analise hermenêutica possível, me vêm à memória quantas vezes somos tomados pela emoção e começamos a fazer uma cagada atrás da outra em nome dos velhos tempos. Lembremos: o ambiente religioso da infância... aquela piscina relaxante momentos antes de subir ao cadafalso... o pastor que confunde o padrinho com o cara do cartório e fica pedindo orientações sobre a cerimônia civil conjunta... a meia garrafa de Jack Daniels entornada momentos antes da aparição gloriosa da noiva, que já estava atrasada 2h.... e claro, a água de coco (essa estória eu vou contar depois) misturada à Coca Cola bem como o suprasensível momento de adoração ao Altíssimo (que deve ter dado sério indícios de se portador de problemas auditivos, considerando-se a algazarra de uma igreja neo-pentecostal aqui da vizinhança) no qual o cabeçudo citado lá em cima (não lembra? releia.) sem saber o que dizer e nem como orar resolveu ficar do meu lado, com a maior cara de concentração e uma seriedade inexistente em qualquer ser humano repetindo "chomp, chomp, chomp, chomp, chomp, Amém ?".

Todas estas situações (e por mais esdrúxulas que pareçam, são verdadeiras) marcam nossa existência com signos claros de uma amizade verdadeira e fiel. Por estas e outras, só podemos desejar a máxima felicidade e realização àqueles que nos proporcionam momentos ímpares como estes, sem os quais nossa vida não teria a menor graça, e por mais que estejamos observando pela segunda vez uma amostra de como a estupidez humana atinge até pessoas de bom senso e serenidade.

Mas os atenienses devem estar se perguntanto:

- O que tudo isso tem à ver com o Fusca?

Ao que respondo: - Sei lá. Agora meu irmão, que minha mãe encontrou sendo carregado por lagartinhas dentro de um pé de alface infectado, quer ir de Fusca para Parati. Espero que pelo menos ele traga uma cachaça que preste. A última era horrível.

P.S. - Dé, vamos assistir a uma peça de teatro no Colón? Tomar um café na Calle Florida, sei lá... acho que você está precisando espairecer.

sábado, 17 de maio de 2008

Homenagem Merecida - Parte 1 (A Quadrilha de 2007)

Em 2007, fui homenageado de maneira muito significativa, o que me honra e orgulha, por alunos muito queridos e especiais.

Nada mais justo, entretanto, do que deixar aqui, ad perpetuum, meu reconhecimento e carinho para aqueles que me dedicaram sua atenção e paciência em um ano tão significativo.

Muitas estórias poderiam ser contatas destas turmas, algumas como o caso do "Polichinelo", os senhores já podem tomar conhecimento nesta mesma página. Mas, algumas imagens talvez expressem melhor o que desejo...

Vambora...

No princípio (tá.. parece a abertura do Gênesis, mas o que vocês querem que eu faça?) havia um bando de loucos (agora tá parecendo o grito da Gaviões. Da cultura religiosa para a ignorância absoluta em apenas uma frase!) [ Não gostei. Vamos começar de novo!]


No início do ano, um grupo de alunos interessados em ampliar seus horizontes culturais (ó... tá ficando bonitinho) resolveu encarar um desafio extremo. Desenvolver uma educação com qualidade privilegiada a partir dos talentos de cada aluno. Não importava como seria a aula. O importante é que se extraísse de cada aula o máximo possível, rindo, chorando, marcando de forma única e ímpar (desculpem a redundância, eu sei que 1 é ímpar, mas as vezes me reservo o direito à tautologia e à linguagem coloquial) o aproveitamento e a reflexão de todos nós.

O aproveitamento foi máximo, mas alguns momentos ficaram absurdamente marcados. Por exemplo:

Como esquecer a quadrilha do "Godfather", com o Gabriel representando a "Sra. Corleone" e o Gustavo, pretendente à mão da minha "bambina" sendo covardemente executado pelo Pinho que, mesmo após ter concluído sua hedionda tarefa com maestria, ainda obriga o finado noivo a casar-se com a singela Bárbara (que nunca conseguia começar as provas naquelas linhazinha que ficam imediatamente abaixo da questão, iniciando o texto no verso da folha e dando a impressão imediata de que havia deixado a prova em branco!). Levando em consideração que, em um momento impetuoso, D. Constanza Corleone conseguiu (o Gabriel jura que foi um acidente) quebrar o pau-de-macarrão e por pouco não me acerta a moleira, o juri achou por bem não incentivar tamanha violência, ou então, não assistiu o filme do Coppola e sequer leu o romance brilhante de Mário Puzo, fazendo com que não recebecemos como prêmio sequer uma mariola.

Outra quadrilha que se deu mal, foi a que tentou resgatar Monteiro Lobato mas, tal qual desfile de escola de samba, tomou bomba no quesito harmônia e um aclamado ZERO em evolução (por mais que a comissão organizadora negue) uma vez que o Saci (representado pelo glorioso LB) não conseguia ficar equilibrado em uma única perna e é absolutamente impossível compreender um elemento folclórico de tamanha importância na cultura brasileira que, tendo como uma de suas características primordiais a ausência de uma das pernas tenha, ora uma perna direita, ora uma perna esquerda. Isto para não se falar do minúsculo traje portado pelo personagem, que teria provocado a CENSURA imediata do evento caso ainda estivéssemos sob os auspícios da ditadura militar na década de 70. Definitivamente uma imoralidade. E Monteiro Lobato que seja lembrado em seu museu em Taubaté. Na imagem ao lado nosso alegre perneta, acompanhado pela vencedora do concurso CUCA 2007 que, como se pode constatar foi concorrídissimo, tendo como uma das proeminentes candidatas ao papel um dos poucos homens no planeta que pode se dizer efetivamente uma pessoa Feliz. (foto abaixo).

O mais interessante é que nenhuma das turmas entrou em quadra (literalmente) com o intuito de buscar a vitória, mas sim de fomentar a cultura, resgatar elementos clássicos, promover a interação e a união de alunos espetaculares. Isto foi para mim motivo de grande alegria e, prova disto, é que um dos casamentos foi celebrado na língua pátria de Vsa. Santidade, e porque não lembrar também de Goethe e Nietzsche, tendo como celebrante nosso saudoso Alex, aluno de intercambio oriundo das margens do rio Elba na Freie und Hansestadt Hamburg, e que fez a maioria dos presentes recorrerem imediatamente ao Langenscheidt Taschenwörterbuch Portugiesisch. Dou uma jujuba se alguém conseguir me provar que estava com o dicionário alemão-português no bolso na hora da quadrilha.

Tampouco poderemos deixar de citar as ilustres autoridades religiosas que privilegiaram este fantástico evento junino, composto por D. Alfredo I, (Ave César, Morituri te salutam) patriarca e arcebispo de Dodsworth, (um ducado antigo esquecido em algum lugar entre a Inglaterra e a Escócia e que os estudiosos desconfiam localizar-se no País de Gales) e sua convidada Madre Rute do Cantoá, que ora jogava búzios, ora congratulava-se com os franciscanos. Vale ressaltar que, em uma máxima demonstração de diálogo inter-religioso, D. Alfredo (também conhecido pelo monossílabo Al) usava um quipá judaíco, ao invés do solidéu cristão (este de cor púrpura conforme sua dignidade) que seria o correto para a ocasião. Mas não estamos aqui para discutir moda.
Foram momentos fabulosos, inesquecíveis e serão guardados para sempre com muito carinho pois são nestes momentos de alegria e festa que podemos refletir sobre o valor de uma vocação que nem sempre recebe o que merece. Como dizia um grande mestre, Dr. Leandro Karnal, "Conheço pessoas que nunca precisaram de um advogado, um médico ou um engenheiro. Mas não conheço ninguém que não precise de um professor". Digo mais: não conheço professores que não precisem de alunos, de colegas de profissão com quem discutam e troquem idéias, de mestres fantásticos que nos inspirem e de administradores envolvidos que nos deixem trabalhar e promovam momentos como estes, onde independente da condição hierarquica, todos somos alunos aprendendo a conduzir a vida com alegria....
Valeu galera!
P.S. - Vocês sabem que eu me empolgo um pouco quando começo a escrever. O post está ficando muito grande e por isto vou dividir em etapas. Aguardem.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Protesto.

Protesto.
Não escreverei mais nada enquanto não acabar esse artigo, e não adianta me mandar e-mail falando sobre chocolate, frutas exóticas, massas sensacionais ou amendoim. Não me deterei em minha hercúlea tarefa apenas para saciar o pecado capital da gula.
E tenho dito.

Passa vontade Fransmar!

Como se não faltasse mais nada, dona Ana Paula (futura Sra. Costa Lima) me liga para avisar que vai almoçar na avó. A "nona" é uma italianinha muito fofa que, segundo reza a lenda, faz uma massa maravilhosa com molhos espetaculares.
Como bom glutão que sou, já estou salivando só em pensar naquele macarrãozinho fabuloso com caldo de carne no molho de tomate....

Adivinhem qual será o "menu"???

é... e eu aqui trabalhando....

Cerveja e Seriguela...


Para quem não sabe, sou filho de um cearense e, considerando esta configuração genética (é... o Ceará é uma configuração genética ) tenho parentes espalhados por lá, desde Quixeramobim até Fortaleza, embora alguns digam que minha família tem origem mesmo é para os lados de Capistrano e Aracati.

Mas, vamos ao que interessa....

Estava eu aqui, em meu escritório, lendo a "Summae Totius Logicae" de Guilherme de Ockham, tentando escrever um artigo sobre o livre-arbítrio no pensamento franciscano (que eu tenho que entregar até o dia 30 de maio) quando recebo um telefonema minimamente inusitado.

Me liga um primo do Ceará.

Como todo o resto da família, salvo "Seu" Dedé (- Paizinho, me arruma "déis") e dona Laurieta (esta última atende também pela alcunha de "mãezinha"), o Ricardo é um "fuleragem" de primeira linha. O bicho é mais sacana do que coelho trancado em baia... é pior que nota de R$ 1,00... todo mundo conhece mas não vale porra nenhuma. Pois bem, após ter identificado devidamente meu interlocutor, pensei que a ligação tivesse um motivo sério, que alguma coisa grave ocorrera "praqueles lados do meu sertão"... Mas não.


O picareta me liga para me fazer passar vontade, uma vez que a temperatura em São Paulo era de aproximadamente 14 graus. A única informação que ele queria me dar era de que estava sentado na "Tia Silvia" (um boteco de qualidade duvidosa que fica próximo à rodoviária, porém extremamente agradável se estiver em boa companhia), comendo seriguela com cerveja.
Imaginem os atenienses quantos elogios me passaram pela cabeça para dirigir à feliz genitora de tal fanfarrão. Eu aqui trabalhando como um retardado e o retardado lá tomando cerveja com seriguela enquanto toma sol... vá pra p.................

Ô inveja....


P.S. - Ô Zé Carlos... sua madrinha falou que vai te mandar "aquele" R$1,00.


P.S.2. - Beijo pra você também Lailinha... saudades de todo mundo.


P.S.3 - Regina, Silvia, Cleide... um "chêro".


P.S.4. - Ilana minha filha... adorei a qualificação do seu doutorado. Pena que não deixaram você se defender.

sábado, 10 de maio de 2008

Não tem preço...

Algumas coisas na vida efetivamente não tem preço.
Cheiro de infância, cheiro de chuva, terra molhada, banho de mangueira, pé no chão, cair de árvore, goiaba bichada, fisgar o primeiro pintado, lavar o carro com o pai, se esticar como um desgraçado para pegar a última manga do pé na temporada e quando você consegue pegar a danada, tá podre.

São recordações como estas, que apesar de parecerem ingênuas, inocentes e exdrúxulas, dão um certo ar de graça à vida.

Mas os atenienses talvez se perguntem: "Estará nosso mestre em um momento saudosista?"

Ao que respondo: "SIM".

Meu irmão comprou um carro. É o primeiro carro dele e, por ser o primeiro já tem uma graça especial. A diferença toda está em que o referido frater teve culhão e coragem para fazer o que todos queríamos e não tivemos coragem. Ele comprou um FUSCA 62... Lindo... Lindo... Lindo...

Que deverá ser batizado com todas as honrarias e as garrafas de champagne que lhe são de direito em data a ser definida pela fraternidade.

Acabei de chegar da agência de veículos onde a tartaruguinha estava... A briga foi para ver quem viria no fusca e quem voltaria em um ultrapassado e sem graça Siena 2006. Todo mundo queria vir no fusca.

Parabéns André.. bela aquisição. Que ele te dê muitas alegrias e que você não manche nunca seus bancos de couro falso creme com elementos oriundos de momentos estéticos de avasaladora tensão dionisíaca. Nunca coloque os pés no banco e não se esqueça de sempre polir o volante. Afinal de contas, ele é todo original.
P.S. - É claro que o Rubens, um irmão que minha mãe achou no palito do picolé em uma promoção, já fez o favor de inebriar o ambiente interno do referido "Carro do Povo" com suas nefastas emissões de ares flatulentos.

P.S. 2 - A besta do André esqueceu apenas um insignificante detalhe em seu devaneio poético popular automobilistico. Ele não tem carteira de habilitação.


Eis o referido automóvel, com seu feliz proprietário, em todo o seu esplendor.







quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Homem do Polichinelo....

Sim atenienses,


Sigo firmemente em meu propósito de narrar nesta página as mais belas pérolas da literatura popular brasileira. Muitas eu já poderia descrever aqui mas, sinto-me no dever de resgatar alguns clássicos. É claro que aquelas pérolas meramente ortográficas, como o sujeito que colocou na prova que "todo homem é um 'cerumano'", não merecem tanta atenção quanto as maravilhosas glosas que ocorrem por mero descuido do espírito humano. É nessas que me deterei com maior atenção.


No final do ano passado, ofereci um curso de estética e filosofia da arte objetivando lapidar o senso artístico de meus alunos. Em uma dessas aulas, lembro de expor algumas telas clássicas e afrescos como a "Mona Lisa", a "Ressureição" do Rafaello, um ou outro Boticelli, algumas esculturas do período Clássico da Grécia e então, fiz uma alusão à perfeição simétrica da anatomia humana que era considerada a perfeita idéia de beleza; principalmente para os renascentistas. Citei alguns desenhos e rascunhos do Léo (Leonardo Da Vinci, para quem não tem intimidade) que esboçavam simplesmente traços humanos visando o aperfeiçoamento de suas proporções.


Foi neste momento, que um ser brilhante teve uma iluminada idéia e, lembrando-se vagamente de um desenho que ele reconhecera no ermo de sua lembrança, proferiu a fatídica sentença: "Como aquele cara do polichinelo?"


???


Milhares de interrogações me assolaram no momento, busquei visualizar o que eu conhecia dos desenhos do Léo, mas nada me lembrava o "cara do polichinelo". Tomado pela angústia e sentindo que deveria ficar calado pois algumas observações não devem ser esclarecidas sob pena de sérios danos à sanidade de quem questiona, percebi que boa coisa não sairía daquele sofisticado diálogo. Porém não me aguentei "nas bombachas" (como diria o Analista de Bagé) e soltei: "Qual cara do Polichinelo?".


O semblante de meu aluno se iluminou... tornou-se radiante. Assolado pelo efeito de dúvida que havia plantado em minha mente, imagino o quão satisfeito o distinto ficou ao perceber minha perplexidade (com aquela cara de "peguei ele"), levantar-se da cadeira e abrir braços e pernas para fazer o movimento típico de um polichinelo.


Tudo estava esclarecido. Ele se referia ao "Homem Vitruviano", de Da Vinci.


Eis o "Homem do Polichinelo".
Agora me fala se eu mereço?
Pior do que esta só o cara do "Suriname"...
mas essa é outra estória.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Não tem mais desculpa....

Prezados atenienses....

Agora não tem mais desculpa... acabou a mamata.
Não interessa se o livro é caro... se tem 2000 páginas, se não tem figurinhas ou se o Cebolinha fala "elado".
Estou disponibilizando o link para que os dignissímos atenienses façam o download gratuíto dos livros recomendados para leitura.

é só clicar:

CAMUS, Albert O estrangeiro

CAMUS, Albert A peste

PUZO, Mario O poderoso Chefão

KAFKA, Franz A metamorfose

Pois bem... mãos à obra...
não quero saber de ninguém suplicando por meio ponto no final do ano... não quero ninguém de 5a. Avaliação, e não quero mais pérolas ortográficas... Concentrem seus esforços nas pérolas simbólicas, metafóricas e nas cacofonias.
A propósito, tenho algumas bonitinhas que narrarei assim que tiver vontade.

Boa leitura.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Discurso de Formatura

Nos idos de 2005, por volta do mês de julho, participei com prazer da cerimônia de colação de grau do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com fins de oferecer algum prestígio à minha querida amiga Vivien Hilal, que na ocasião além do “canudo” (?) recebeu a condecoração de “membro iniciático” da F.O.D.A.: (Fraternidade da Ordem Dionisíaca de Aedos) outorgada por seus Grãos Mestres e deliberada em reunião extraordinária ocorrida no ato. Após ter bebido da “água batismal”, extraída das entranhas da terra de Minas Gerais (precisamente na cidade de Salinas), a partir da moagem da cana-de-açúcar e purificada em processo de destilação, a iniciada ouviu do Grão-Mestre A.R.M (o nome mantém-se oculto, afinal de contas somos uma Fraternidade Secreta) a sabia sentença: “É melhor limpar por dentro do que por fora”.
Se resgato estes fatos após tanto tempo, é porque me senti motivado a anotar alguns “desaforismos” proferidos em discursos de docentes e discentes. Mas antes, permitam-me atenienses, uma pequena introdução. Não vos amotineis!
Há anos observo um grande amigo, íntegro e inteligente, de nome Collez, que só não é mais virtuoso por ser presbiteriano mas, o fato é que este amigo traz sempre consigo um bloquinho acompanhado de ao menos quatro canetas “BICs” (o acaso é uma realidade, já dizia Camus), com a pérfida intenção de anotar todos os desaforos que sejam proferidos ao seu redor. Imaginem quanta coisa minha deve haver nestes malgrados escritos. Pois bem, ao ouvir o primeiro “desaforismo” proferido na referida cerimônia, lembrei-me do Collez e saquei de minha esferográfica, quando percebi (para meu desespero) que não possuía à mão, um bloquinho. O jeito foi anotar na mão mesmo.
Minha primeira observação deu-se por conta de uma afirmação no mínimo curiosa. O orador do período matutino, cujo nome fiz questão de esquecer por motivos de piedade proferiu: “Todos nós possuímos uma alma humana”. IMPRESSIONANTE! Há XXVI séculos que a filosofia busca, sem sucesso, delimitar a alma ou estabelecer um conceito, sem nunca ter chegado a um acordo e, do nada, (Cf. HEIDEGGER, Martin O que é Metafísica) surge um arquiteto recém-formado que já a estabelece como categoria! Como é possível tamanha verdade ter sido ocultada do mundo por tanto tempo? É claro que não só os homens possuem alma, o que se torna evidente pela afirmação contundente de que, se há uma “alma humana”, também deve existir uma alma para os lemingües, ornitorrincos, brócolis e couves-flor. Sem falar das chicórias. Como eu nunca percebi que as chicórias possuíam uma alma?
Na seqüência de seu discurso, o orador agradece aos “pais e responsáveis”. É claro que um sujeito que percebe a existência da alma na chicória deve ter um responsável, mesmo que já tenha atingido a maioridade legal. No momento me pareceu que ele havia retirado seus agradecimentos de uma ficha de matrícula do Ensino Fundamental, mas minha ignorância estava me induzindo a incorrer em uma monstruosa desgraça intelectual. Ainda bem que meus responsáveis me alertaram para tal fato.
No discurso do professor paraninfo, o comentário não se afastou muito disto. Disse ele: “Vocês não nasceram arquitetos, nasceram seres humanos”. Ainda bem. Se nasceram seres humanos (afirmação da qual duvidei no momento mas, meus responsáveis mais uma vez me chamaram à razão), quer dizer que possuem uma “alma humana”, e assim, o Mackenzie não outorgou o título de bacharel em arquitetura e urbanismo a nenhum lemingüe. Os alunos são espelhos de seus mestres. Já identifiquei de onde proveio a sabedoria do neo-bacharel.
Surpreendente mesmo foi o orador do período vespertino. Lá pelas tantas, o sujeito me faz um pedido aos ouvintes (que a esta altura só não gargalhavam às soltas porque talvez não estivessem entendendo nada ou estavam emocionados demais para isto); “Permitam-me contar uma piada mas, por favor, não riam.” Todos riram. Pensei comigo mesmo: “Se é para não rir, porque o sujeito vai contar uma piada ? Outra piada ? O discurso já não era uma ?” Pela terceira vez, meus responsáveis me tranqüilizaram com um enfático: “ Te segura… te segura…. Sossega…”.
A dita anedota era mais ou menos a seguinte: “Uma certa componente da realeza (cujo nome omitiremos em conta da crueldade sofrida e, se caso eu venha a pronunciar, da crueldade que irei sofrer pelas mãos de uma pessoa muito querida que adora a referida personagem) desejava ir ao baile no castelo, mas não lhe seria conveniente pois estava “naqueles dias”. Suas roupas íntimas estavam mais vermelhas que a antiga bandeira da URSS. Sua fada madrinha, sempre solicita, transformou então uma abóbora (girimum para aqueles que não estão familiarizados) em um delicado absorvente interno. À meia noite, a singela garota veio à óbito.” Moral da estória: a) nunca acreditem em fadas madrinhas; b) nunca espere as doze badaladas noturnas, pode ser tarde demais.
Realmente. A partir do momento em que eu esperei para ouvir o final desta piada (da qual não ri, atendendo ao pedido do jovem arquiteto) foi tarde demais. Para garantir minha sanidade, saí do auditório até que ouvisse a chamada dos nomes iniciados pela letra V. Afinal de contas, amigos são para todos os momentos, por mais escabrosos que estes nos pareçam.

Agradecimentos

Qualquer tipo de produção intelectual, trabalho, publicação, dissertação, tese, livro de receitas, gibi, ou mesmo um blog deve conter agradecimentos, ou tornar-se-á (reparou no oblíquo ? isso é obliquo ?!) suspeito. (Cf. ECO, Umberto Segundo Diário Mínimo).
Como produção intelectual exclusiva, sinto-me no dever de dividir a culpa pelas blasfêmias aqui proclamadas.
Agradeço primeiramente à F.O.D.A. (Fraternidade da Ordem Dionisíaca de Aedos), e aos irmãos fraternos desta sublime confraria. Fraters et Sórors (ó o plural do meu latim !!!) sem vocês meu blog e minha vida seriam uma página em branco. Com vocês é uma página suja.
Um agradecimento especial destina-se a meus alunos. Estes são verdadeiramente os grandes responsáveis pelo material coletado. Mas advirto: reservo-me o direito de manter oculto o nome do acéfalo que proferir sentenças grandiosas como “A formação da sociedade para Rousseu (sic) ocorre quando esta se forma”; ou então blasfêmias e sacrilégios com a grafia do nome de alguns filósofos como “Ruçô” (Rousseau), Nitchi (Nietzsche) e Chopenauher (Schopenhauer), ou ainda atentados contra a língua portuguesa como “Sócrates era um sujeito muito “perçuazivo”. É claro que no fundo nutro o maior apreço por vocês... Sem vocês minha vida não teria graça.
Um agradecimento especial vai para o Adriano (2º F de 2004 – EE. Tito Prates da Fonseca), que mui gentilmente fez o desenho que abre este mundo fantástico que ora se descortina diante de vós.
À minha irmã, que comeu o último pedaço de bolo de cenoura que eu estava guardando para o café da tarde.
E ao meu irmão, que babando de sono, bateu cinzas e apagou o cigarro no meu sapato achando que era cinzeiro.

Agora vai...

Pois bem atenienses....
Sei que há muito tempo não atualizava minha antiga página, e tampouco a página intermediária que neste momento encontra-se em algum lugar remoto do esquecimento do vasto mundo virtual mas, prosseguiremos com a incansável luta para propagar todos os desabafos deste que vos escreve, tentando aprimorar cada vez mais a técnica e tornar o Diário Indiário o menos indiário possível.
Sim atenienses, lá se vão oito meses desde a minha última postagem em um blog - motivo mais do que suficiente para que não me recorde da senha, e tampouco da resposta àquela perguntinha idiota que aparece no "esqueceu sua senha?" - e, sendo assim vamos iniciar tudo novamente.
Mais uma vez estou aqui, cheio de boas intenções e cheio de estórias para contar. Muitas delas oriundas dos gracejos de meus queridos aluninhos, essas mentes tão brilhantes que, conforme minha egrégia colega de profissão conhecida popularmente pela alcunha de "Prô Lúcia", são o futuro de nosso país. Na qualidade de um visionário oriundo da tradição nominalista do século XIV, pós "Querela dos Universais", temo por este futuro. Porém resta-nos a esperança... e esperaremos.
Sim... muitas são as estórias a serem contadas; muitas foram as bizarrices cometidas durante todo este tempo...
Mas, vamos ao que interessa... recuperaremos o tempo perdido. A esperança nos motivará a escrever e revelar a verdade como ela é.