Algumas coisas na vida efetivamente não tem preço.
Cheiro de infância, cheiro de chuva, terra molhada, banho de mangueira, pé no chão, cair de árvore, goiaba bichada, fisgar o primeiro pintado, lavar o carro com o pai, se esticar como um desgraçado para pegar a última manga do pé na temporada e quando você consegue pegar a danada, tá podre.
São recordações como estas, que apesar de parecerem ingênuas, inocentes e exdrúxulas, dão um certo ar de graça à vida.

Mas os atenienses talvez se perguntem: "Estará nosso mestre em um momento saudosista?"
Ao que respondo: "SIM".
Meu irmão comprou um carro. É o primeiro carro dele e, por ser o primeiro já tem uma graça especial. A diferença toda está em que o referido frater teve culhão e coragem para fazer o que todos queríamos e não tivemos coragem. Ele comprou um FUSCA 62... Lindo... Lindo... Lindo...
Que deverá ser batizado com todas as honrarias e as garrafas de champagne que lhe são de direito em data a ser definida pela fraternidade.
Acabei de chegar da agência de veículos onde a tartaruguinha estava... A briga foi para ver quem viria no fusca e quem voltaria em um ultrapassado e sem graça Siena 2006. Todo mundo queria vir no fusca.
Parabéns André.. bela aquisição. Que ele te dê muitas alegrias e que você não manche nunca seus bancos de couro falso creme com elementos oriundos de momentos estéticos de avasaladora tensão dionisíaca. Nunca coloque os pés no banco e não se esqueça de sempre polir o volante. Afinal de contas, ele é todo original.
P.S. - É claro que o Rubens, um irmão que minha mãe achou no palito do picolé em uma promoção, já fez o favor de inebriar o ambiente interno do referido "Carro do Povo" com suas nefastas emissões de ares flatulentos.
P.S. 2 - A besta do André esqueceu apenas um insignificante detalhe em seu devaneio poético popular automobilistico. Ele não tem carteira de habilitação.
Eis o referido automóvel, com seu feliz proprietário, em todo o seu esplendor.

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